A solitude é perigosa.
Sobre perceber que o seu tempo e sua paz são itens de luxo.
“A mulher que descobriu o prazer de um date consigo mesma, é perigosa.” – Luana Schräder
Em uma sexta-feira comum, tive um date comigo mesma.
O café que comumente é cenário do meu office fora de casa, já foi de dates amorosos e também de reuniões de trabalho, encontro de família, e também de encontro comigo mesma. Talvez um cenário comum na minha rotina na nova cidade, mas que vez ou outra me traz momentos de absoluta alegria ou conexões.
Há alguns anos criei esse hábito, mais do que saudável, de sair e tomar um café comigo mesma. Ao invés de apenas usar as cafeterias para aguçar a criatividade no trabalho fora do ambiente comum, achei de bom tom que também fosse cenário para um encontro comigo mesma.
Sexta-feira foi um desses dias em que saí sem notebook, afinal, outro hábito que decretei após o burnout foi: sexta-feira é meu dia de folga. Se possível, é claro. Mas um dos privilégios do meu trabalho, é poder tirar um momento para cuidar da minha mente.
Nessa sexta-feira, a folga só existiu naquela fração de minutos, mas como eu tenho um pacto comigo mesma, fechei o notebook e a agenda, e fui com meu livro me mimar.
Diversos insights e pensamentos passaram por aqui, e foi tão libertador colocar o celular no mudo e apenas existir naquele espaço-tempo em que eu era a minha única prioridade.
Tomei um suco, comi um pão de queijo e um chocolatinho (ah sim, ignorei a dieta também pois a vida não precisa ser engessada); peguei minha leitura do momento, post-it e marcador de páginas. E para a minha sorte, o segundo andar da cafeteria estava vazio.
Ou seja: eu, minha mente e minha leitura. Um date comigo mesma que me fazia sorrir enquanto eu lia e escutava o som ambiente (um MPB bem gostosinho em volume baixo) e tomava meu suco. Com calma. Com presença. Comigo mesma.
Ri da leitura, tentei disfarçar os momentos em que queria dar um grito com a história (aqueles instantes que apenas leitores expressivos entenderão) e me transportei para outra atmosfera.
O privilégio de ser leitora é esse: viajar para lugares distantes ou inexistentes, participar de vidas fictícias, viver diversas outras realidades.
Tirei uma foto e postei com a frase que dá início a esse texto, e sorri comigo mesma.
Uma mulher que descobre o prazer e a paz de ter um date consigo mesma, ela é muito perigosa.
Muito perigosa pois ela sabe do valor da sua companhia, sabe que é preciosa e reconhece o quão sagrada é a sua paz.
Uma mulher que se basta na sua própria solitude, é perigosa. Ela não se deixa levar pelos desejos passageiros e promessas vazias, ela sabe que para compartilhar sua vida e energia, é preciso ser tão especial quanto ela.
Estou falando em mulheres, mas sinceramente? Acredito que todos – qualquer gênero! – precisem desses momentos de encontros solos. Quando nos bastamos na solitude, somos perigosos.
São nesses momentos que apreciamos a imensidão da nossa alma e aprendemos a conhecer quem somos e o que queremos.
É, meus caros… quem sabe o seu próprio valor é muito perigoso. Mas deixe-me ser mais clara: perigoso para quem só quer a casca e sugar o que podemos oferecer.
Mas a boa notícia é que apesar de sermos perigosos para alguns, para as pessoas certas somos valiosos. E é aí que está a beleza, quando sabemos o quanto nosso tempo é sagrado, só permitimos a entrada daqueles que não enxergam perigo. Apenas atraímos os semelhantes que também são cheios de si mesmos.
Quem sabe, ter um date consigo mesmo seja uma forma de atrair o que a nossa alma anseia.
E você? Já se levou para um date especial para se mimar? Se ainda não foi, deixa a newsletter para depois e vai se mimar.
Com amor,
Lua. Ou, a pessoa que descobriu o quanto a sua solitude é sagrada.




Lembro a primeira vez que tive esse encontro comigo mesma. Estava solteira recentemente, com vontade de comer pizza. Sempre fui de fazer o que os outros queriam, mas dessa vez decidi ir sozinha. Foi uma brotinho de brócolis com bacon. Numa pizzaria, numa mesa vermelha de bar. Um “colega” passou, deu oi, um sorriso amigável e perguntou: tá sozinha aí? Eu só sorri de volta. Eu estava tão bem sozinha comigo mesma que não senti pena ou solidão. Eu me senti inteira pela primeira vez, fora de casa, numa pizzaria.
Exatamente isso! Temos que aprender a ser nossa melhor companhia! Parabéns pelo texto!